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Bolsa OTC traz novos ares ao mercado de capitais

A Bolsa OTC Brasil é uma plataforma eletrônica para emissão e negociação secundária de CCBs (cédulas de crédito bancário), cuja criação foi aprovada recentemente pelo Banco Central do Brasil. A iniciativa surgiu por meio do sandbox regulatório — ambiente em que entidades são autorizadas a testar, por determinado período, projetos inovadores na área financeira ou de pagamento. Vale ressaltar que OTC corresponde à sigla, em inglês, para mercado de balcão (over the counter).

O novo instrumento possibilitará a emissão de títulos de dívida, com segurança e sem burocracia, de empresas previamente listadas e qualificadas, garantindo conformidade, segurança e transparência a todos os participantes. Também realizará todo o processo de registro, custódia e liquidação de transações de compra e venda de ativos, que serão tokenizados, por meio do Corda Enterprise — plataforma tecnológica de blockchain para mercados regulados.

Possibilidades interessantes

Diferente das bolsas tradicionais, que lidam com empresas de capital aberto, a plataforma operará com empresas de capital fechado (cujo acesso ao mercado de capitais é restrito) — em especial as organizações com receita anual entre R$ 10 e R$ 300 milhões (middle market), segmento que oferece oportunidades interessantes para investimento.

A nova bolsa, portanto, permitirá que essas companhias tenham acesso direto aos investidores — e, consequentemente, elevará a possibilidade de obtenção de recursos para geração de funding. Tais empresas, é importante destacar, receberão uma classificação de transparência da própria Bolsa OTC para atestar a qualidade, atualização e conformidade de suas informações — e o investidor, assim, poderá tomar decisões de maneira assertiva sobre esses investimentos.

A plataforma também fará com que o custo da emissão de dívida também seja reduzido — uma vez que os gastos com bancos de investimento e advogados serão menores, de acordo com Paulo Oliveira, presidente da Bolsa OTC Brasil, em matéria publicada no Valor Econômico. Há, ainda, um aspecto que torna o novo sistema único — já que será estruturado com tokens e blockchain: a possibilidade de negociar frações desses ativos.

Também será possível negociar os tokens livremente — ou seja, o novo instrumento permitirá sua venda a qualquer momento, desde que haja compradores.  Além disso, poderão ser negociados em corretoras credenciadas ou diretamente no home broker da plataforma (sem intermediários ou taxas de corretagem). E o investidor também poderá aplicar indiretamente, por meio dos fundos administrados por gestores que operam dentro do sistema.

Inovação no mercado de capitais

Ao registrar e liquidar transações de compra e venda de ativos, custodiar valores aportados/captados e, ainda, garantir elevado grau de segurança para todas as informações e títulos emitidos através de registro, criptografia e armazenamento em blockchain, é possível afirmar, sem embargo, que a criação da Bolsa OTC expressa a relevância da transformação digital na evolução tecnológica do mercado de capitais.

O êxito da nova plataforma representará, assim, uma nova etapa para facilitar o acesso do middle market aos investidores, além de uma mudança na forma pela qual as operações são realizadas — ou seja, por meio da livre negociação dos tokens. E, certamente, trará grandes possibilidades para o futuro, especialmente quanto ao relacionamento do público em geral com o mercado de títulos de crédito. 

CRK
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