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Entendendo o mercado financeiro: títulos verdes (green bonds)

Os títulos verdes, ou green bonds, são similares aos títulos de dívida (leia sobre o tema no artigo que escrevemos há algumas semanas (https://crk.com.br/uncategorized/principais-operacoes-de-renda-fixa/). A principal diferença, porém, é que os ativos verdes podem ser usados para financiar investimentos sustentáveis, de forma mensurável e verificada. Pode-se dizer, assim, que esses títulos representam uma alternativa de longo prazo para reduzir os danos causados ao meio ambiente.

Como são emitidos

No Brasil, os green bonds são emitidos, pelo setor privado e empresas estatais ou de economia mista, como debêntures (comuns ou incentivadas), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Vale ressaltar que, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo, as instituições não financeiras lideram a emissão desses títulos no país.

No entanto, para que uma empresa ou organização possa emitir títulos verdes, é necessário que submeta seus projetos à avaliação da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) e do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). O processo requer, ainda, a participação de um agente denominado second opinion — que, na verdade, são instituições que avaliam e dão fé aos aspectos socioambientais que serão beneficiados com os recursos captados. 

Para onde vão os recursos

Os recursos provenientes dos títulos verdes são, portanto, destinados a projetos de energia renovável, eficiência energética, prevenção e controle da poluição, gestão de recursos naturais, conservação da biodiversidade, transporte limpo e gestão dos recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas — além de produtos, tecnologias de produção e processos ecoeficientes.

A esse respeito vale destacar que, desde 2018, a B3 oferece para empresas e organizações a possibilidade de identificação de títulos certificados como verdes, iniciativa cujo objetivo é o desenvolvimento do mercado brasileiro de capitais — e que se alinha à agenda de sustentabilidade da instituição.

Benefícios para todos

Do ponto de vista das empresas e organizações, a criação e identificação desses títulos potencializa uma importante fonte de recursos para investimentos em projetos sustentáveis — alinhando-as às principais tendências econômicas mundiais. Também proporciona ganhos em termos de credibilidade e reputação, além de elevar seu valor de mercado.  

Já para o investidor, os ativos verdes representam uma oportunidade de contribuir com a preservação dos recursos naturais do planeta sem alterar a estratégia de seu portfólio. Nesse sentido, é oportuno ressaltar que, de 2015 (quando o primeiro título verde foi emitido no país) até junho de 2021, as transações brasileiras já atingiram a marca de US$ 40,5 bilhões, segundo o Estadão.

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