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Tendências do mercado secundário de renda fixa

Diante de um cenário de baixas taxas de juros (menores, ressalte-se, do que os índices de inflação no país), os investidores brasileiros passaram a assumir mais riscos para proteger seus rendimentos — e, assim, voltaram seu olhar ao mercado secundário de títulos privados. Pode-se dizer que é uma mudança de paradigma, uma vez que o perfil do investidor no Brasil sempre foi conservador e, no passado, os títulos emitidos pelo governo ou por grandes bancos, além da poupança, eram suficientes para evitar a corrosão de seu patrimônio.

Maior risco, maior rentabilidade

O contexto atual, porém, é diferente. As distribuidoras e corretoras ampliaram sua oferta de títulos privados e passaram a incluir, além dos tradicionais CDBs (Certificado de Depósitos Bancários — cujos prazos, aliás, agora são maiores), debêntures (dívida privada), CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e LFs (Letra Financeira). Ou seja, títulos que apresentam maior rentabilidade — ainda que possuam pouca liquidez.

Um novo cenário

Houve, assim, um grande impulso no volume de negociações no mercado secundário desses ativos — ainda que a Selic tenha saltado de 2% a 4,25% nos últimos tempos. É o caso, por exemplo, dos CRIs, que tiveram grande procura no primeiro trimestre deste ano, segundo matéria publicada no site Valor Investe — e uma das explicações para tal movimentação é o fato de que esses ativos estão atrelados a índices de inflação (IGP-M e IPCA) e, por essa razão, têm protegido o investidor dos efeitos inflacionários observados no último ano.

Vale destacar que, ainda de acordo com o Valor Investe, o volume de CRIs movimentadas nos três primeiros meses de 2020 (R$ 6,1 milhões) deu um salto estratosférico e atingiu R$ 927 milhões de janeiro a março de 2021, aproximando-se do montante registrado com debêntures no mesmo período (R$ 995,6 milhões).

Quanto às CDBs, em 2021 houve um crescimento de 52% no total de negociações no mercado secundário em relação ao primeiro trimestre de 2020 (R$ 18,4 bilhões contra R$ 27,9 bilhões de janeiro a março de 2021). Já as CRAs, que financiam empresas do setor agrário e movimentaram R$ 6,149 bilhões nos três primeiros meses de 2020, tiveram um aumento de 22% no mesmo período em 2021 (R$ 7,5 bilhões) — além de registrarem um aumento de 13% sobre o volume de títulos negociados em 2020.

Vantagens fiscais

Há, ainda, outro grande incentivo a ser considerado, que são as vantagens fiscais oferecidas por alguns papéis. Por exemplo, as debêntures incentivadas (títulos de crédito privado emitidos por empresas para financiar reformas e ampliação de infraestrutura) são isentas de Imposto de Renda. Já os CRIs e CRAs são isentos de IR e IOF — assim como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito para o Agronegócio).

Um mercado cada vez mais enraizado

O mercado secundário tornou-se, portanto, uma alternativa atraente para os brasileiros que desejam aumentar a rentabilidade de seus investimentos em renda fixa, ainda com maior risco. Outro aspecto que merece ser destacado é a entrada de players como bancos digitais, corretoras e distribuidoras independentes, fintechs e até mesmo bancos tradicionais, cujas novas iniciativas e ofertas impulsionarão essa tendência — que está cada vez mais enraizada no país.

CRK
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