Tendências do mercado secundário de renda fixa
junho 21, 2021
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PIX: impactos no mercado e agenda 2021/22

Desenvolvido pelo Banco Central, o PIX começou a funcionar em 16 de novembro de 2020 e está cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros. O sistema — que permite a realização de transferências bancárias quase instantâneas e em tempo integral — contabilizou 83,4 bilhões em movimentações só no primeiro mês de operação e, de acordo com dados do próprio Bacen e da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), já representa 78% de todas as transações bancárias do Brasil.

Inovação, agilidade, segurança e conveniência

Pode-se dizer que esse cenário está relacionado, além do impulso que a pandemia de covid-19 deu à utilização de meios digitais, a características como disponibilidade, rapidez, conveniência, multiplicidade de casos de uso, possibilidade de agregar informações, segurança e ambiente aberto — uma vez que, além dos bancos, outras instituições financeiras (PSP indiretos) têm acesso para operar com o sistema. O PIX, assim, trouxe diversas inovações ao mercado — como, por exemplo:

  • Utilização de chaves (CPF, número de celular, e-mail ou códigos aleatórios com números e letras) ou QR Code para iniciar um pagamento sem a necessidade de inserir várias informações para efetuá-lo;
  • Possibilidade de anexar referências por meio de links de internet com informações adicionais, que podem trazer ao pagamento dados não financeiros como número de venda, itens pedidos e descontos, entre outros.

Novos recursos para 2021 e 2022

Evidentemente, novas funcionalidades vêm sendo desenvolvidas — e devem ser lançadas no segundo semestre de 2021 e ao longo de 2022. É o caso do Saque PIX, que permitirá ao usuário realizar saques em estabelecimentos comerciais como mercados e lojas — e do PIX Garantido, cujo objetivo é possibilitar o agendamento de transações — assim como o parcelamento de pagamentos mesmo nos casos em incidam juros sobre a operação.

Já o recurso QR Code do Pagador oferecerá a possibilidade de realizar pagamentos mesmo que o sistema esteja off-line. O PIX Cobrança, por sua vez, terá como finalidade permitir que empresas e microempreendedores gerem códigos QR para cobranças imediatas ou em datas futuras. E os pagamentos, no caso de cobranças vinculadas a duplicatas — assim como ocorre na antecipação de recebíveis por cartão —, poderão ser realizados pelo PIX Duplicata. 
Outros recursos que deverão ser implementados nesse período são:

  • Inclusão de conta-salário nas listas por PIX; 
  • Integração dos aplicativos com listas de contato em smartphones para facilitar a identificação dos usuários que possuem o número de celular como chave;
  • Possibilidade de devolução ágil de recursos pela instituição recebedora em casos de suspeita de fraude ou falhas operacionais nos sistemas das instituições participantes;
  • Iniciador de pagamentos, de acordo com o cronograma definido pelo Open Banking;
  • Pagamentos por meio de tecnologia NFC, ou seja, por aproximação.

Desafios da segurança

Sem dúvida, há grande impactos no mercado financeiro — como a inclusão de cerca de 45 milhões de desbancarizados a um sistema de pagamentos. Paralelamente, porém, tal oportunidade também traz inúmeros desafios para as instituições financeiras. Um deles é a segurança.

A Febraban apontou, em 2020, um aumento de 44% em golpes que usam o nome das instituições financeiras. Por exemplo: como o PIX utiliza QR Codes, a probabilidade de que golpistas tentem utilizar tal mecanismo para desviar pagamentos e realizar operações indevidas, entre outras ações criminosas, é bastante significativa.

Os requisitos de segurança definidos pelo Banco Central, contudo, incluem criptografia, autenticação e assinatura digital — além da conformidade com Lei Geral da Proteção de Dados. É de suma importância, portanto, garantir o atendimento pleno a esses dispositivos.

Um caminho sem volta

Estudos realizados pela consultoria EY indicam que, em 2024, o volume de transações realizadas através do PIX poderá atingir o equivalente a 36,3% do PIB do país. Em outras palavras, isso significa que o sistema já é um concorrente respeitável para meios como TED, DOC, cartões de débito e dinheiro em espécie — e se tornará cada vez mais robusto à medida em que o tempo passa, além de simbolizar um dos aspectos mais relevantes em meio às inovações que a transformação digital vem proporcionando aos serviços financeiros.

CRK
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