O metaverso continua sendo um dos temas em alta atualmente. Definido como um ambiente virtual compartilhado, imersivo e hiper-realista, em que as pessoas terão identidade própria e poderão viver, interagir, trabalhar, consumir e prestar serviços por meio de avatares (já falamos a respeito disso aqui, lembra?), a expectativa é que esse espaço digital proporcione uma experiência tridimensional completa, com número ilimitado de usuários.

 

É necessário, porém, observar que o metaverso já existe — e que, hoje, os games Decentraland e Roblox são as duas maiores plataformas de universos digitais do mundo. Empresas como Disney, Microsoft, Nvidia e a própria Meta, de Mark Zuckerberg, vêm, contudo, investindo bilhões de dólares para criar seus próprios ambientes e expandir as possibilidades desse novo mundo digital por meio de devices de realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA), a fim de oferecer uma experiência ainda mais imersiva aos usuários.

 

Também é importante considerar que, hoje, muitas transações já podem ser realizadas em ambiente digital. Diversos especialistas, aliás, apontam para a possibilidade de uma economia completa no mundo virtual, estruturada em tecnologia Blockchain (que já é nativa da internet), criptomoedas e NFTs (non-fungible token) (leia mais a respeito aqui). Os usuários, assim, poderão passar de uma plataforma para outra com todos os produtos e serviços que adquirirem, uma vez que a interoperabilidade será uma das características centrais desse universo.

 

Possibilidades infindáveis

As possibilidades são infindáveis. É o caso da primeira Metaverse Fashion Week, realizada na plataforma Decentraland em março, que ofereceu desfiles, exposições e festas — além de levar mais de 60 marcas, artistas e designers como Gucci, Dolce & Gabanna, Tommy Hilfigger, Hugo Boss e Elie Saab, entre outras. As roupas digitais devem se popularizar cada vez mais segundo o Tech Trend Reports, e já é possível adquiri-las para que sejam aplicadas, com caimento perfeito, à imagem do(a) cliente   — que, posteriormente, poderá publicá-la em seu perfil nas redes sociais.

 

Esse conceito já é familiar para jogadores de videogame (as skins para mudar o visual de personagens instantaneamente) — e movimenta atualmente cerca de US$ 40 bilhões por ano, com perspectivas de atingir US$ 50 bilhões em 2022. Para todos os efeitos, de acordo com a Bloomberg Intelligence, o universo digital e deve chegar a US$ 800 bilhões (R$ 4,5 trilhões) em 2024 — impulsionado, principalmente, por games de metaverso e pela realização de eventos nessa nova realidade.

 

Os jovens no Brasil e o metaverso

Essa tendência encontra um cenário interessante no Brasil. A pesquisa Geração Z: metaverso, internet e hábitos de compra, realizada recentemente pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) em parceria com a PiniOn, contou com 650 consumidores no país entre 18 e 24 anos — e revelou que 59% dos entrevistados já ouviram falar em metaverso — enquanto 30% já estão inseridos nesse universo e 29% consideram fazer parte dele.

 

De acordo com o levantamento, 64% dos jovens entrevistados jogam games on-line e, desses, 54% têm o hábito de adquirir acessórios e extensões dentro dos jogos. Mais: o valor gasto mensalmente com essas aquisições pode chegar a R$ 500. O estudo também aponta que 15% desses jovens só fazem compras pela internet — sendo 76% em marketplaces, 53% em aplicativos de entrega e 31% em redes sociais (63% pelo Instagram).

 

Em contrapartida, porém, um estudo realizado pela Toluna apontou que essa nova realidade também desperta inquietações. De acordo com a pesquisa, 60% dos pais de adolescentes se preocupam com o acesso dos filhos a conteúdo adulto no novo ambiente digital. Outros aspectos são bullying (57%), interações com desconhecidos (54%), tempo gasto no metaverso (46%), roubo de identidade (48%), vício (45%), falta de privacidade (42%), conteúdo prejudicial (37%) e menos conexão humana (35%).

 

Impacto na economia

Por outro lado, uma pesquisa realizada pela Analysis Group indicou que, se a adoção e o impacto do metaverso evoluírem como a tecnologia móvel (smartphones), poderão representar, em dez anos, 2,8% do PIB Global (US$ 3 trilhões). Já na América Latina, as atividades relacionadas ao novo ambiente digital podem chegar cerca de US$ 320 bilhões (5% do PIB dos países da região). Tais projeções, ressalte-se, consideram games, mídia social, comércio eletrônico e entretenimento on-line.

 

Todavia, deve-se considerar que é impossível prever todas as áreas que serão impactadas pelo metaverso — ou seja, os dados do estudo conduzido pela Analysis estruturam-se em pontos de vista que podem mudar por uma série de fatores. É o caso, por exemplo, do desenvolvimento da tecnologia — como infraestrutura e largura de banda, entre outros aspectos necessários para proporcionar acesso para o maior número possível de usuários ao novo mundo digital.

 

Universo em expansão

Muitos afirmam que o metaverso será um elemento essencial para a web 3.0, ou seja, mais imersiva, descentralizada e aberta. Seja como for, espera-se que o novo ambiente possua uma economia digital própria — e os usuários poderão, assim, trabalhar, adquirir imóveis, fazer compras, ir a festas e reuniões. Nesse sentido, a implementação da Blockchain e tecnologias como criptomoedas e NFTs será essencial para que os negócios realizados virtualmente se integrem ao mundo real — e vice-versa.