O compromisso com a sustentabilidade e o meio ambiente, uma das principais demandas da sociedade nos tempos atuais, passou a fazer parte do cotidiano dos bancos no Brasil por meio do financiamento de projetos sustentáveis e da emissão de títulos verdes — além da oferta de opções de investimentos nesses ativos. Tal posicionamento, é importante observar, alinha-se a uma das principais tendências econômicas mundiais, proporcionando ganhos em termos de credibilidade e reputação às instituições financeiras.

 

Vale ressaltar que degradação da biodiversidade, assim como as questões climáticas e a vida em sociedade, estão entre as principais ameaças apontadas pela Global Risk Perception Survey 2021. O estudo tem, como propósito, rastrear as percepções de cerca de mil especialistas e líderes mundiais em negócios, governo e sociedade civil quanto aos maiores riscos para o planeta nos próximos anos (leio o artigo que publicamos sobre o tema aqui.

 

Cada vez mais relevantes

Nesse sentido, pode-se afirmar que uma resposta para tal cenário são os green bonds, ou títulos verdes — que, apesar de similares aos títulos de dívida,  podem ser usados para financiar investimentos sustentáveis, de forma mensurável e verificada. No Brasil, esses ativos são emitidos pelo setor privado e empresas estatais ou de economia mista como debêntures (comuns ou incentivadas), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

 

Deve-se observar que os recursos provenientes dos títulos verdes são destinados a projetos de energia renovável, eficiência energética, prevenção e controle da poluição, gestão de recursos naturais, conservação da biodiversidade, transporte limpo e gestão dos recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas — além de produtos, tecnologias de produção e processos ecoeficientes  — mas você já havia lido tudo isso aqui, não?

 

Pesos pesados flexionam os músculos

O fato é que grandes instituições financeiras brasileiras vêm se movimentando para captar recursos por meio da emissão de green bonds. Em janeiro deste ano, por exemplo, o Bradesco informou a emissão e liquidação financeira de seu primeiro sustained bond, atrelado a critérios socioambientais, no valor de US$ 500 milhões — e, segundo a instituição, a operação consiste em uma captação internacional sustentável de dívida sênior.

 

Mais recentemente (abril) o Itaú Unibanco captou US$ 62,5 milhões em sua primeira emissão de green bonds no mercado internacional. Os recursos levantados poderão ser alocados em projetos de energia renovável, eficiência energética, transporte limpo, gestão sustentável de água, prevenção e controle da poluição e edifícios verdes. Em janeiro de 2021, aliás, o Itaú já havia emitido US$ 500 milhões em sustainable bonds — e, há algum tempo, fechou uma emissão de R$ 1 bilhão em letras financeiras verdes junto à International Finance Corporation (IFC).

 

Também em janeiro de 2022 o centenário Sicredi, primeira instituição financeira cooperativa do Brasil, realizou, junto ao BID Invest, membro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),  sua primeira emissão de títulos verdes no exterior, no valor de US$ 100 milhões  — com os recursos destinados integralmente ao financiamento de novos projetos de energia fotovoltaica e eficiência energética. Também é oportuno destacar que essa é a primeira emissão de green bond, subordinado por um emissor brasileiro, adquirida pelo BID Invest.

 

Uma nova realidade

Para todo os efeitos, a movimentação de pesos pesados como Bradesco, Itaú Unibanco e Sicredi sinaliza o quão importante é a sintonia com essa nova realidade, em que a atuação das instituições financeiras deve transcender a excelência das operações bancárias e fazer sentido nas vidas de seus clientes. Não há, portanto, exagero ao afirmar que as organizações cujas atividades não se alinharem aos critérios ESG (Environmental, Social e Governance — ambiental, social e governança em português) estarão sujeitas, em última análise, a perder a conexão com seu público.