Diversos bancos digitais e fintechs vêm concentrando seus esforços em nichos específicos a fim de preencher lacunas deixadas pelas instituições financeiras tradicionais. O objetivo é oferecer atendimentos mais personalizados, ou seja, que levam em consideração as características, expectativas e necessidades de determinados grupos de pessoas para, dessa maneira, atingir níveis mais elevados de fidelização.

 

Esse tipo de segmentação é comum nos Estados Unidos — e tem produzido resultados interessantes. É o caso, por exemplo, do Chickasaw Community Bank, criado para atender os povos nativos da América do Norte, da Ellevest, plataforma de investimentos e educação financeira para mulheres e da Lili, neobanco que tem freelancers (profissionais sem vínculo empregatício) como público-alvo.

 

Vale destacar que as fintechs de nicho muitas vezes atuam em parceria com iniciativas sociais e ONGs que se alinham a seus valores, aspecto importante para estreitar vínculos, por meio de propósitos em comum, com os clientes — além de gerar empatia pela marca e, por consequência, fortalecê-la.

 

Objetivo: tornar-se a instituição financeira nº 1 na vida do cliente

Pode-se dizer, portanto, que atender nichos significa:

  • potencializar a fidelização clientes, tornando-os embaixadores da marca;
  • crescer em segmentos nos quais há menor competição com outros players;
  • estabelecer parcerias com organizações que se dedicam ao perfil do cliente;
  • priorizar a inovação e o desenvolvimento de soluções que atendam às necessidades de determinado grupo.

 

A ideia, portanto, é que esses bancos digitais e fintechs tornem-se, pela maneira como ofertam seus produtos e serviços, a principal instituição financeira na vida dos públicos que desejam atingir. Em outras palavras, isso significa falar a mesma língua dos clientes em potencial.  Quanto às pessoas que essas instituições pretendem alcançar, é possível citar:

  • grupos sociais minoritários, como afrodescendentes, moradores de comunidades e portadores de necessidades especiais, entre outros;
  • grupos divididos por perfis de consumo como geeks e jogadores de videogame, por exemplo;
  • divisões demográficas e por faixa etária;
  • perfis de empresas (transportadoras e MEIs, entre outras) e grupos de profissionais (como, por exemplo, catadores de produtos recicláveis, motoristas de caminhão e empregadas domésticas).

 

Um banco digital para o público LGBTQIAP+

Um dos exemplos mais emblemáticos é o Pride Bank, banco digital que, segundo seu website, possui propósito social e impacta a vida de pessoas da comunidade LGBTQIAPI+ — além de apoiar causas sociais por meio do Instituto Pride (organização de saúde multidisciplinar LGBTQIAP+), que recebe 5% da receita bruta do banco. De acordo com matéria do Valor Investe publicada em junho deste ano, a ambição do Pride Bank é conquistar de 5% a 10% dos brasileiros que se alinham ao público-alvo da instituição.

 

Empreendedorismo e inovação para a população afro-brasileira

Já o Afrobank, assim como Banco Afro, D’BlackBank e Conta Black, podem ser considerados alternativas de acesso e inclusão financeira — uma vez que surgiram para fomentar o empreendedorismo e a inovação da população afro-brasileira. Outro aspecto que deve ser levado em conta, nesse sentido, é que essas instituições proporcionam o suporte que seu público-alvo não encontra em grande parte das instituições tradicionais — especialmente para a obtenção de crédito.

 

Outros casos

Outros casos dessa segmentação por nichos são a Z1, voltada ao público adolescente, o SportBank, criado para atender atletas e clubes esportivos  e o próprio TargetBank — cujo objetivo é atender às necessidades de caminhoneiros. Isso não significa, porém, que as grandes instituições financeiras no Brasil deixaram de voltar seu olhar para essa tendência.

 

Conta digital para gamers

Em março deste ano o Itaú Unibanco, por exemplo, lançou o Player’s Bank, conta digital direcionada ao público gamer.  Resultado de intensa pesquisa e de aproximação com o público aficionado por games e e-sports, a conta digital gratuita oferece serviços customizados como rendimento automático e PIX ilimitado.

 

Os clientes, assim, não pagarão anuidade pelo cartão — e contarão com um plano que possibilitará a personalização de skins em determinados jogos. Além disso, o banco tem investido em um jogo desenvolvido por um brasileiro — outra iniciativa para que a instituição se mantenha relevante em meio aos gamers.

 

Proximidade com o cliente e fidelização

O fato é que a afinidade, ou seja, o compartilhamento de propósitos e valores, é um dos aspectos mais importantes para sedimentar o relacionamento com o cliente. Afinal, ao levar em consideração as necessidades, demandas e características peculiares de um grupo específico, seja social, étnico ou minoritário, as instituições tornam-se cada vez mais próximas de seu público-alvo e passam a fazer parte de seu dia a dia — conquistando, dessa maneira, sua fidelização.