De maneira geral, pode-se definir Inteligência Artificial (AI) como a associação de diversas tecnologias que permitem, a sistemas e máquinas, perceber, compreender e realizar tarefas, das mais simples às de elevado grau de complexidade, simulando o comportamento humano de maneira cada vez mais aprimorada por meio dos dados que coletam.  Neste artigo, portanto, abordaremos o impacto desse conceito sobre o mercado financeiro — assim como algumas aplicações. Vamos lá?

 

No princípio

O matemático britânico Alan Turing (1912-1954) é considerado pai da ciência da computação e da IA. Mas a expressão Artificial Intelligence (AI) surgiu apenas em 1956, criada pelo professor de matemática norte-americano John McCarthy (1927 – 2011), que a utilizou no convite para um evento no Dartmouth College — instituição universitária localizada em Hannover, New Hampshire. Na ocasião, McCarthy reuniu um grupo de cientistas para discutir automação — ou seja, a capacidade das máquinas para exercer tarefas humanas.

 

Em 1959 surgiu a expressão machine learning, ou aprendizado da máquina, utilizada para sistemas que permitem aos computadores aprender determinadas funções sem que sejam programados para isso. Já em 1964 nascia ELIZA — o primeiro chatbot do mundo. Décadas mais tarde, em 1997, o Deep Blue, da IBM, que calculava 200 milhões de possíveis jogadas à frente, derrotou Gary Kasparov, maior enxadrista do mundo — despertando a atenção do grande público para a Inteligência Artificial.

 

Informação como objetivo, tecnologia como meio

Pode-se afirmar que, pela própria natureza do mercado financeiro — em outras palavras, a oferta de produtos e serviços que geram valor efetivo —  a conexão com a Inteligência Artificial seja potencializada. Afinal, bancos e instituições financeiras acumulam uma quantidade inimaginável de dados gerados por seus clientes — que aumenta exponencialmente, por meio de seus canais digitais, em volume e complexidade.

O fato é que as expectativas, intenções, necessidades e demandas dos clientes são melhor compreendidas por meio de Big Data, machine learning (aprendizado da máquina) e HPC (High-Performance Computing ou, em português, computação de alta performance). Isso faz com que seja possível aprimorar a experiência desses consumidores — enquanto a IA traciona a eficiência operacional, proporcionando uma entrega de produtos e serviços mais cada vez mais ágeis, flexíveis e inovadores.

 

Aplicações

Conheça algumas aplicações da Inteligência Artificial no setor financeiro:

 

Segurança e prevenção de fraudes

É importante observar que a expansão dos meios de pagamento, assim como a disponibilização de canais on-line, elevaram o número de operações realizadas no ambiente digital. De acordo com uma pesquisa da PWC, aliás, essas operações devem crescer 142% até 2030, apenas no Brasil. Esse cenário aumenta consideravelmente a possibilidade de vazamento de dados, falhas de segurança e fraudes. É oportuno destacar, ainda, que, de acordo com a Febraban, os golpes contra clientes de bancos aumentaram 165% em 2021.

 

A Inteligência Artificial, todavia, ajuda bancos e instituições financeiras a lidar com o elevado volume de transações, uma vez que possui a capacidade de analisar, em tempo real, grandes quantidades de dados enquanto detecta eventuais comportamentos anormais — ou seja, que apresentam riscos. Em outras palavras, isso significa que é possível desenvolver ações preventivas para evitar, além de prejuízos financeiros, danos à reputação da instituição financeira.

 

Riscos de crédito

A cada dia aumentam os fatores que devem ser levados em conta na análise de crédito — assim como os riscos em meio ao processo de concessão. Ou seja, a coleta e organização desses dados pode representar um um desafio de proporções consideráveis. A utilização de Inteligência Artificial, porém, possibilita a verificação e checagem de milhares de informações e critérios com rapidez para determinar se o crédito será aprovado ou não — e até mesmo identificar a necessidade de uma avaliação mais detalhada.

 

Personalização de serviços e produtos

Um dos principais benefícios proporcionados pela utilização de IA no mercado financeiro é a compreensão dos anseios e necessidades dos clientes — que estão mais exigentes a cada dia. Dessa forma é possível melhorar a jornada desses consumidores por meio da viabilização de produtos e serviços personalizados — estratégia que, vale ressaltar, é crucial no processo de engajamento e fidelização do público-alvo.

 

Atendimento ao cliente

Não há novidade no fato de que os bots de autosserviço tornaram-se populares por deixarem o atendimento mais rápido e conveniente aos usuários — além economizarem bastante nos custos de atendimento. Segundo a consultoria Juniper, a expectativa é que os chatbots proporcionem uma economia de cerca de US$ 7,3 bilhões a empresas do segmento bancário até 2023.

 

Os chatbots “aprendem”, por meio de IA, com as principais dúvidas dos usuários — e podem até oferecer sugestões sobre os pontos a serem melhorados para que as respostas às solicitações sejam cada vez mais claras. Outra grande vantagem é a valorização do trabalho humano, uma vez que os colaboradores envolvidos com tais atividades passam a dispor de tempo para tarefas mais estratégicas.

 

Compliance

Ao monitorar e analisar grandes quantidades de dados rapidamente, as instituições financeiras podem correlacionar diferentes aspectos dos dados  para tirar conclusões pré-programadas (como, por exemplo, levantar red flag para certo tipo de operações) e iniciar o processo para novas conclusões base nos dados armazenados. É o caso, por exemplo, do monitoramento de transações para prevenção de manipulação do mercado e lavagem de dinheiro.

 

Robô-advisor

Por meio da análise das informações financeiras de clientes, assim como metas futuras e ativos disponíveis para perfis específicos, são estruturadas carteiras de investimentos alinhadas a tais características. Esse processo é realizado por meio de plataformas digitais, que oferecem serviços de planejamento financeiro automatizados com base em Inteligência Artificial e modelos preditivos.

 

Uma jornada em curso

Estas são algumas aplicações da Inteligência Artificial no mercado financeiro. Deve-se considerar, contudo, que à medida em que a tecnologia evolui — e a disponibilização de informações aumenta exponencialmente, os desafios para bancos e outras instituições tornam-se ainda maiores. É o caso da acessibilidade dos dados, já que muitos estão espalhados em diversos departamentos e setores (em muitos casos devido aos requisitos regulamentares e sistemas legados). Tal cenário limita a qualidade das soluções que podem ser geradas — além de criar autênticos silos de informações.

 

Por fim, existem várias discussões sobre os dilemas morais na utilização de tecnologias de IA. No entanto, é necessário que o desenvolvimento de sistemas baseados nesse conceito, além de atender ao interesse dos clientes e, por consequência, garantir competitividade às instituições financeiras, também considere questões éticas e comportamentais humanas. Afinal, a Inteligência Artificial proporciona uma miríade de vantagens, como melhoria em processos e soluções práticas e inovadoras — e por isso mesmo não pode ser ignorada.