Os Certificados de Operações Estruturadas, ou COEs, são investimentos que associam elementos de renda fixa (em que há a perspectiva do resultado final) e renda variável (que permite o acompanhamento da variação de um ativo) — cujos retornos podem ser atrelados a ações ou índices de ações nacionais e estrangeiras, taxas de juros, inflação, ETFs (Exchange Traded Funds), commodities e moedas.

O capital, nessa modalidade, pode ser protegido parcial ou totalmente contra perdas nominais. Caso o resultado do ativo investido seja positivo, há ganho financeiro; se for negativo, porém, o risco de perda pode ser minimizado ou eliminado. O objetivo é oferecer aos investidores uma alternativa para acompanhar a movimentação de um ativo subjacente, mas sem expô-los a grandes riscos.

Como as operações são realizadas

A instituição emissora estabelece um cenário acerca do desempenho de um ativo financeiro ou índice, monta a estrutura para cada possibilidade (ganhos ou perdas), define a data de resgate e, em seguida, oferece esse COE a seus clientes. É muito importante observar, porém, que tal estrutura pode considerar diversas possibilidades.

Por exemplo, um COE atrelado ao dólar por um ano pode ser estruturado por meio de regras que estipulem a remuneração ao investidor caso a moeda norte-americana apresente variação positiva até 10% nesse período, contemplando duas situações específicas:

  • se houver valorização, o investidor receberá o montante correspondente — limitado, porém, a 10%;
  • se houver desvalorização, o investimento inicial será ressarcido ao investidor — mas sem correção.

Outros exemplos são COEs que possibilitam ganhos ao investidor em situações nas quais a variação do ativo seja negativa, permaneça estável ou, ainda, oscile nos dois sentidos — ou seja, existem inúmeras maneiras pelas quais esse instrumento pode ser estruturado.

Tipos de COE

Há dois tipos de COE no mercado: valor nominal protegido (ou capital protegido), em que o valor principal investido possui garantia — ou seja, mesmo que o desempenho seja negativo, o investidor receberá de volta o montante aplicado no início da operação; e valor nominal de risco, que não oferece cobertura — e o risco é limitado à quantia aplicada inicialmente. O investidor, assim, pode perder todo o capital investido.

É importante observar que, ao contrário dos ativos de renda fixa, os COEs não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — ou seja, os investidores podem perder o valor aplicado (assim como os rendimentos) caso a instituição emissora venha a falir. Vale ressaltar, ainda, a incidência de Imposto de Renda sobre operações com tais instrumentos, de acordo com a tabela regressiva válida para investimentos em renda fixa — cuja variação está relacionada ao prazo de aplicação:

  • 22,5% para aplicações até 180 dias;
  • 20% para aplicações de 181 a 360 dias;
  • 17,5% para aplicações de 361 a 720 dias;
  • 15% para aplicações acima de 720 dias.

Uma alternativa interessante

O COE segue uma tendência em voga no país: os investidores estão mais familiarizados com o mercado financeiro — e vêm diversificando suas aplicações. Trata-se, portanto, de uma alternativa interessante para investimento — especialmente quando é necessário acompanhar o movimento de determinado ativo (ou de uma cesta de ativos) — que pode, ainda, suavizar o risco em algumas faixas de variação menos prováveis.

Deve-se considerar, no entanto, a importância de que o cliente esteja plenamente consciente em relação ao que adquire. Em outras palavras, a análise da estrutura proposta pela instituição emissora do COE é condição fundamental, nesse sentido, a fim de determinar se o instrumento é adequado (ou não) ao perfil e objetivos do investidor — para, assim, evitar resultados indesejáveis.