Bancos digitais são instituições financeiras que operam de maneira on-line — ou seja, tudo o que o cliente necessita pode ser feito virtualmente — e não possuem agências físicas, aspecto que reduz consideravelmente seu custo de funcionamento. Abordaremos, neste artigo, alguns aspectos interessantes sobre tais instituições.

 

Origens

A entrada dos bancos totalmente digitais no mercado está relacionada à flexibilização das normas do Banco Central, cujo objetivo é elevar a competitividade entre instituições financeiras. A digitalização dos serviços bancários, portanto, tem início a partir da modernização dos processos operacionais dos bancos.

 

Os primeiros bancos 100% digitais, assim, surgiram no país em 2010, quando os smartphones ainda não eram tão difundidos — e se multiplicaram vertiginosamente, uma vez que ofereciam praticamente todos os serviços gratuitamente  (cartões, transferência entre contas, DOCs, TEDs e alguns investimentos, por exemplo). O cenário, assim, mudou drasticamente — e tirou os bancos tradicionais de sua zona de conforto.

 

Bancos digitais e fintechs

Aqui vale destacar as diferenças entre instituições financeiras digitais — que são regulamentadas como bancos junto ao Bacen — e fintechs (junção de financial e technology) empresas que introduzem serviços digitais inovadores no mercado financeiro, por meio de plataformas on-line, para criar novos modelos de negócios — e que possuem regulamentação própria também emitida pelo Banco Central.

Evolução no Brasil

Mesmo com as medidas que o Bacen vem tomando para estimular a concorrência, o fato é que cinco instituições tradicionais (Itaú, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) ainda concentram 72,6% do crédito e 63,1% da receita no mercado financeiro nacional. Esse cenário, porém, está mudando, já que os bancos digitais vêm multiplicando seu número de contas — e o período entre 2019 e 2021 é emblemático nesse sentido. Veja o quadro abaixo:

(Crédito da imagem: Poder360)

 

Pode-se dizer, portanto, que a tecnologia vêm mudando a dinâmica no mercado financeiro por meio dos bancos digitais — que, com sua estrutura enxuta, agilidade, custos reduzidos e a capacidade de proporcionar uma experiência diferenciada ao consumidor, por meio do desenvolvimento de canais de comunicação mais acessíveis a diversos tipos de público, vêm se tornando cada vez mais populares.

 

De acordo com o Ranking de Onboarding Digital 2021, cuja pesquisa entrevistou 1.654 brasileiros em todas as regiões do país, durante os meses de novembro e dezembro do ano passado, cerca de 75% dos brasileiros deixariam instituições financeiras tradicionais para uma conta digital. Desse total, 28,3% têm de 20 a 30 anos, 31,3% estão entre os 31 e 40 anos e cerca de 40% têm mais de 45 anos. Vale ressaltar, ainda, que, 51% desses entrevistados pertencem à classe C.

 

Crescimento em meio à pandemia

O processo de digitalização do setor bancário tornou-se ainda mais acentuado com a pandemia de covid-19. De acordo com o Global Digital Banking Index 2021, de 2018 até 2020 o número de pessoas que usam conta exclusivamente digital aumentou 73%. Um dos grandes desafios dos bancos digitais nesse sentido, vale ressaltar, é tornarem-se a principal instituição financeira de uma parcela do público para rentabilizar sua base de clientes, que já é grande.

 

Uma pesquisa realizada pela Lightco logo no início da pandemia indicou que 82% dos entrevistados ainda estavam preocupados em ir à agência bancária, enquanto 63% mais inclinados a experimentar um aplicativo digital. Para 84%, a expectativa era que as empresas encontrassem maneiras de potencializar a interação digital para mantê-las seguras — e 56% estavam receosos com sua capacidade de pagar empréstimos.

 

A experiência do consumidor

Os bancos digitais trouxeram competitividade ao mercado e proporcionaram conveniência — ou seja, praticidade e a comodidade de tarefas e resolver assuntos financeiros sem que seja necessário ir, presencialmente, a alguma agência bancária. Além disso, os custos são menores — e seus clientes são mais engajados que os dos bancos tradicionais. Sob tal contexto, pode-se dizer que o crescente número de contas digitais contribui para estimular a bancarização no país (só no último ano houve um aumento de 10,3%), assim como o Pix e o open finance — e indica que há um cenário de maior concorrência a caminho.