Em junho/2021 publicamos um artigo sobre o mercado secundário de títulos privados (leia aqui ), no qual apontávamos que, diante de um cenário de baixas taxas de juros, os investidores brasileiros passaram a assumir mais riscos para proteger seus rendimentos.

A situação, no entanto, agora é diferente. Com os juros no Brasil atingindo patamares cada vez mais elevados, o fato é que os instrumentos de renda fixa tornaram-se mais atraentes aos investidores, dada sua previsibilidade — assim como a possibilidade de retornos interessantes.

Inversão de cenários

Em outras palavras, isso significa que, devido ao crescente aumento das taxas reais de juros, a ponto de torná-las positivas, os investidores brasileiros têm evitado a exposição a certos riscos. É oportuno considerar, ainda, que tal movimentação ganhou impulso com as últimas decisões do Comitê de Política Monetária (COPOM), que elevaram a Selic para 11,75%.

Vale ressaltar também que, de acordo com dados recentes da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o montante acumulado este ano em aplicações de renda fixa já está próximo de R$ 100 bilhões — enquanto os fundos de renda variável tiveram saques de mais de R$ 23 bilhões.

O reflexo na Bolsa

Outro aspecto que evidencia uma mudança significativa em relação à época em que a Selic estava a 2% ao ano é a menor exposição das pessoas físicas em meio às operações na Bolsa — que, de acordo com a B3, já sacaram mais de R$ 16 bilhões este ano. Em contrapartida, porém, até agora os investimentos estrangeiros representam mais de R$ 73 bilhões no acumulado de 2022.   

Os títulos de crédito ainda são opções

No período em que as taxas de juros eram inferiores à inflação, a necessidade de obter rendimentos mais elevados fez com que os brasileiros buscassem alternativas mais arrojadas para evitar a corrosão de seu patrimônio. Hoje, contudo, o contexto é totalmente diferente — e os investidores tornaram-se mais conservadores em suas aplicações.

Deve-se observar, todavia, que mesmo diante de tal cenário os títulos de crédito ainda terão espaço; afinal, os investidores brasileiros já possuem um conhecimento maior do mercado, proveniente da necessidade de obter rendimentos reais positivos — razão pela qual continuarão a considerar tais ativos como opções para investimentos, ainda que ofereçam riscos mais elevados.