No ano passado o volume de dinheiro em circulação no país diminuiu 8,5% em relação a 2020 (R$ 339,01 bilhões em espécie, de acordo com o Bacen) — e, para todos os efeitos, esse é um fato inédito desde o início do Plano Real, em 1994. Em outras palavras, no dia último dia de 2021, havia 7,64 bilhões de cédulas e 28,64 bilhões de moedas nas mãos dos brasileiros, afirma a Folha De São Paulo.

Mas é importante observar, nesse sentido, que com a eclosão da pandemia de covid-19 — e, em especial, do pagamento do auxílio emergencial —, em 2020 o valor total do dinheiro em circulação era 32% acima de 2019. Já no início de 2022, todavia, o meio circulante voltou a crescer — e, ainda segundo a Folha, até o dia 7 de janeiro deste ano o volume já era R$ 920 milhões a mais do que em 31 de dezembro de 2021.

Sob tal cenário há, ainda, outro aspecto a ser considerado: o lançamento do Pix, em novembro de 2020 — sistema de transferências bancárias que em pouco tempo substituiu as operações em espécie e uma parcela significativa das transferências eletrônicas tradicionais, como DOC (Documento de Ordem de Crédito) e TED (Transferência Eletrônica Disponível). Vale ressaltar que, desde sua implementação, o sistema já movimentou mais de R$ 4 trilhões.

Pix: novos recordes e grande adesão entre pequenos negócios

A utilização do Pix desde sua implementação vem aumentando a cada mês — e, em 7 de janeiro deste ano, segundo dados divulgados pelo Bacen, o sistema quebrou um novo recorde: foram 52.395 milhões de transações em um único dia. O recorde anterior, 51.946 milhões, foi alcançado em 20 de dezembro de 2021 — e atribuído ao pagamento da 2ª parcela do 13º salário.

Segundo a pesquisa Radar Febraban, realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o Pix possui a adesão de 71% dos brasileiros — e sua aprovação subiu 9 pontos (de 76% a 85%) em 12 meses. Entre jovens na faixa etária de 18 e 24 anos essa aprovação chega a 99%; para a população com idades entre 25 e 44 anos, o porcentual é de 96%. Já para quem tem mais de 60 anos, esse índice cai para 65%.

Outro aspecto que merece ser destacado é a adesão dos pequenos negócios. De acordo com a Pesquisa de Impacto da Pandemia do Coronavírus nos Pequenos Negócios, realizada em novembro de 2021 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 86% dos pequenos negócios no país já utilizavam o Pix — ou seja, houve um aumento de nove pontos porcentuais em relação à edição anterior (agosto) do levantamento.

Quanto ao porte desses negócios, pesquisa aponta que 85% das micro e pequenas empresas aderiram ao Pix — e, entre os microempreendedores individuais (MEI), esse porcentual é um pouco maior: 87%. As atividades que mais utilizam o sistema são academias e serviços de alimentação (94%), seguidas por oficinas e negócios ligados à área de beleza (93%) — enquanto os setores com menor adesão foram energia (79%) e serviços empresariais (71%).

Conclusão

Em nosso artigo anterior, tendências do mercado financeiro em 2022 (leia aqui), abordamos a crescente utilização dos meios digitais como substitutos para pagamentos com dinheiro em espécie, assim como o número cada vez maior de usuários do Pix — que, de acordo com o Bacen, é o sistema de pagamentos instantâneos com adesão mais rápida do mundo, seguido por Chile e Dinamarca.   

Diversas pesquisas, assim como os sucessivos recordes de utilização do Pix (que, como vimos aqui , já somava 100 milhões de usuários em setembro de 2021, ou seja, dois meses antes de completar um ano de operação. Em novembro, esse número chegou a 107 milhões), reforçam nossas percepções sobre o mercado — e apontam para o êxito de um dos principais objetivos do Bacen: a bancarização, ou seja, a democratização do acesso aos serviços bancários para a população brasileira por meio de acessibilidade, praticidade, disponibilidade, conveniência e custos reduzidos.