Controlada pelo Grupo Solum, em parceria com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) e Finchain (empresa especializada em blockchain), a BEE4 não é uma nova bolsa de valores, mas um mercado secundário com ações representadas por tokens (registros imutáveis dos titulares por meio de tecnologia blockchain), composto por companhias com faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 300 milhões que ainda não estão listadas na B3.

 

Prestes a entrar em operação, a BEE4 foi aprovada pelo sandbox regulatório da CVM, ambiente experimental para inovações no mercado real, por determinado período, sem submetê-las aos procedimentos usuais exigidos pelos órgãos reguladores. As organizações que desejam listar seus ativos no novo mercado devem, assim, realizar uma oferta inicial na Beegin, plataforma coletiva de equity crowdfunding ligada ao projeto. Os ativos ficarão disponíveis posteriormente aos investidores em um pregão semanal, que deverá ser realizado todas as quartas-feiras.

 

Público-alvo

Mesmo com autorização para operar com organizações a partir de R$ 10 milhões de receita, a ideia é que o novo mercado se concentre especialmente em negócios com faturamento a partir dos R$ 50 milhões. A primeira oferta de negócio na nova plataforma é de uma clínica de reprodução humana sediada em São Paulo; há, porém, outras vinte companhias em seu pipeline — que, de acordo com as normas da CVM, poderá listar apenas dez empresas ao longo de seu primeiro ano de operação.

 

Estabelecendo um novo mercado secundário

Para todos os efeitos, o fato é que, até o momento, quem participava de uma oferta em plataforma de equity crowdfunding só dispunha de uma opção: vender sua parte para os atuais sócios da companhia. Contudo, graças a esse experimento regulatório, os investidores poderão negociar com aqueles que estiverem registrados na plataforma e já tenham participado, ao menos uma vez, de transação de financiamento coletivo.

 

O novo mercado de balcão estabelecido pela BEE4 tem como objetivo, portanto, proporcionar liquidez a tais operações, já que os investidores poderão adquirir os ativos colocados à venda. Essas negociações, vale destacar, serão realizadas em leilões por meio de uma média de preços — que será definida de acordo com as ordens recebidas para evitar grandes distorções. Os investidores, assim, receberão tokens de ações, que serão registrados na rede blockchain.

 

Preenchendo lacunas

Ao proporcionar acesso ao mercado de capitais para empresas que ainda não atingiram a maturidade para serem listadas na B3 — e, por consequência, oferecer novas possibilidades aos investidores —, a BEE4 procura, assim, preencher um gap no mercado de capitais. Segundo Patrícia Stille, CEO da empresa, em entrevista ao Estadão E-Investidor, “queremos jogar luz na categoria que fica entre as startups e as empresas de bolsa, que é muito interessante para a composição de portfólio. Os investidores vão encontrar setores que não estão expostos na bolsa”.